segunda-feira, 7 de abril de 2014

Diário dos Mundos em Juazeiro do Norte - CE










Tem pessoas que creem que a principal qualidade da pintura é reproduzir a realidade. Mas, o que é realidade? O que é mais real? A superfície, a casca de uma fruta ou o seu interior? Penso nestas coisas quando observo os desenhos, pinturas e gravuras de Wescley. Minha mente divaga pelo universo que a sua arte nos conduz. Por caminhos que não são meus e muito interessantes por isso. Possibilitando-me visões que jamais teria acesso, as obras de Wescley abrem portas para mundos que não conheço, que imagino que são dele e, generosamente, o artista nos põe em comunicação e nos disponibiliza o acesso.  Ele põe diante de mim visões que, provavelmente, jamais veria sem as lentes da sua arte, por meus próprios olhos.
            O que vejo nas obras de arte de Wescley pode não ter a beleza exterior que, por vezes, se espera de uma pintura decorativa. Aí chegamos a um ponto importante. Por certo, os seus desenhos, gravuras e as suas pinturas não são de uma beleza simples em sua aparência. Ele nos apresenta obras de arte que são portas que nos são abertas, mas precisamos ter coragem de adentrar nos novos espaços que o artista nos oferta, lugares desconhecidos que precisam ser perscrutados, sondados, estudados.  Cada obra de Wescley é um poema intimista, por vezes, longe do entendimento fácil ou do próprio entendimento, posto que é arte.

            As obras de Wescley são obras de arte que devem ser abordadas. Elas falam de coisas profundas. Elas escondem sabores, cores, texturas e aromas próprios. E têm férteis sementes que podem ser cultivadas em nossas mentes, possibilitando o surgimento de um opulento jardim de ideias e sentimentos que, por certo, brotará enriquecendo o universo pessoal dos observadores. Tenham coragem.

Roberto Galvão
Curador



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